Volta Redonda, localizada no estado do Rio de Janeiro, expandiu-se a partir da edificação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), idealizada no período do governo de Getúlio Vargas.
O que ocorreu
Bem antes da instalação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a localidade já possuía denominação e trajetória. “Volta Redonda” remetia a uma sinuosidade do rio Paraíba do Sul. Naquele ponto surgiu o povoado de Santo Antônio da Volta Redonda, em uma região caracterizada por propriedades rurais e, posteriormente, pela implantação da malha ferroviária.
A transformação determinante aconteceu na década de 1940, momento em que o governo de Getúlio Vargas selecionou o município para sediar uma ampla usina siderúrgica. A indústria demandaria logística, residências e atendimentos para os operários. Seu empreendimento terminaria por modificar igualmente o entorno.
A definição por Volta Redonda surgiu depois de análises de outras localidades. Conforme o Atlas Histórico da Fundação Getulio Vargas (FGV), o colegiado encarregado do projeto optou por uma região do Vale do Paraíba situada entre Barra do Piraí e Barra Mansa. Um dos benefícios era a proximidade com a Estrada de Ferro Central do Brasil, fundamental para escoar insumos e conectar a usina a outros territórios.
Em 30 de janeiro de 1941, Vargas promulgou o Decreto-Lei nº 3.002. O instrumento aprovou o projeto de edificação e operação da usina em Volta Redonda e permitiu as providências indispensáveis à criação da CSN. O documento ainda estabelecia áreas para trilhos, rodovias e uma vila destinada aos trabalhadores.
Financiamento dos Estados Unidos
A instalação da siderúrgica abarcou tratativas com os Estados Unidos ao longo da Segunda Guerra Mundial. Segundo a FGV, negociadores brasileiros trataram com o banco norte-americano Eximbank um financiamento de US$ 20 milhões para a usina. O empreendimento também recebeu aportes brasileiros estipulados no decreto de 1941.
A edificação consumiu anos e requereu intervenções além dos limites da fábrica. A malha ferroviária foi expandida, enquanto a CSN construiu alojamentos, residências, colégios, templos e outras instalações para acolher seus empregados. Conforme o registro histórico da empresa, a fabricação de aço iniciou oficialmente em 1946, com a abertura do Alto-Forno I.

Cidade planejada para os operários
O avanço não se restringiu ao redor das máquinas. O arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, que atuou no plano urbanístico de Goiânia, foi contratado para projetar a cidade operária de Volta Redonda. O desenho reservava espaços para a indústria, as habitações, o comércio e os serviços.
Um estudo acadêmico divulgado pela Estudos Avançados, da USP, indica que as distintas funções da cidade foram segmentadas no planejamento. O modelo de moradia também foi debatido: embora o urbanista advogasse por habitações coletivas, sobressaíram casas geminadas, além de alguns edifícios voltados a trabalhadores solteiros.
Parte dessa história segue perceptível. A Praça Brasil, por exemplo, compõe o plano inicial da cidade operária, conforme o inventário de patrimônio da prefeitura. A Igreja Santa Cecília também foi erguida na vila para servir a comunidade constituída em torno da CSN.
Quando Volta Redonda virou município?
Apesar da modificação iniciada nos anos 1940, Volta Redonda ainda integrava Barra Mansa. A emancipação ocorreu em 17 de julho de 1954, mediante a Lei Estadual nº 2.185. Dessa forma, a cidade surgiu oficialmente mais de uma década após o decreto que autorizou a construção da usina.
Com o passar do tempo, o município diversificou suas atividades para além da siderurgia, agregando comércio, serviços, educação e cultura. A conexão com o aço, contudo, permanece marcada em sua trajetória e em sua paisagem. No Censo de 2022, Volta Redonda possuía 261.563 habitantes, conforme o IBGE.







