A demissão de mais de 500 auxiliares de classe e a substituição desses profissionais por trabalhadores terceirizados provocaram uma série de manifestações em Arraial do Cabo. A medida adotada pela Prefeitura mobilizou servidores da Educação, familiares de estudantes e representantes sindicais, que buscam reverter a decisão por meio de negociações com o governo municipal.
Em nota, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe Lagos) informou que está atuando para impedir o avanço do processo de terceirização. Segundo a entidade, a substituição da mão de obra própria por contratação privada culminou, nesta semana, na dispensa de centenas de servidores, mesmo com o ano letivo em andamento, situação que, na avaliação do sindicato, pode comprometer o funcionamento da rede municipal de ensino.
Como forma de pressionar a administração municipal, dezenas de profissionais da Educação, além de mães, pais e responsáveis por alunos, participaram de uma vigília realizada na manhã desta quarta-feira (15), em frente à Secretaria Municipal de Educação. A mobilização ocorreu simultaneamente a uma reunião entre representantes da categoria e integrantes do governo, convocada para discutir os impactos da medida.
Durante a audiência, a comissão formada pelo sindicato apresentou argumentos sobre os possíveis prejuízos pedagógicos provocados pela troca repentina dos auxiliares de classe, destacando os reflexos na rotina escolar e no acompanhamento dos estudantes.
A coordenadora do Sepe, Viviane Souza, afirmou que a categoria buscou abrir um diálogo com a Prefeitura para demonstrar a gravidade da situação enfrentada pelos profissionais e pelas unidades de ensino. Segundo ela, a demissão em massa surpreendeu os servidores, que agora precisarão participar de um novo processo seletivo caso desejem concorrer às vagas que serão disponibilizadas pela empresa terceirizada.
Viviane ressaltou ainda que o sindicato permanece tentando negociar alternativas com a gestão municipal, defendendo que a substituição dos trabalhadores poderá causar impactos negativos no atendimento aos alunos e na organização da rede pública de ensino.
Também integrante da coordenação do Sepe em Arraial do Cabo, Renata Éboli informou que o sindicato já havia sido comunicado anteriormente sobre a possibilidade de terceirização dos auxiliares de classe. No entanto, segundo ela, a entidade sempre manifestou posição contrária à proposta.
De acordo com Renata, o secretário municipal de Educação, Bernardo Alcântara, havia mencionado que pretendia realizar uma experiência com esse modelo de contratação, mas sem informar quando a mudança seria implementada. Ela afirmou que a decisão acabou surpreendendo a categoria no decorrer do ano letivo e destacou que ainda não há definição sobre a possibilidade de reaproveitamento dos servidores dispensados, já que a empresa contratada deverá promover um novo processo seletivo.
A coordenadora-geral do Sepe Lagos, Denize Alvarenga, também convocou profissionais da Educação, pais, mães e responsáveis para uma nova plenária aberta marcada para quinta-feira (16), às 9h. Após o encontro, está prevista a realização de uma nova vigília, a partir das 10h, em defesa dos trabalhadores e da continuidade das negociações.
O debate sobre a terceirização dos auxiliares de classe começou ainda no ano passado, quando a Prefeitura de Arraial do Cabo anunciou oficialmente a intenção de extinguir o cargo dos quadros permanentes da Secretaria Municipal de Educação. Desde então, o tema vem sendo acompanhado pelo sindicato, que mantém posicionamento contrário à medida e afirma que continuará buscando soluções para evitar novos impactos sobre os profissionais e a comunidade escolar.








