Uma rara borboleta conhecida como asa-de-vidro (Ithomia drymo) foi observada e registrada no dia 3 de junho durante uma ação de monitoramento ambiental realizada na trilha que leva a Itaocaia, dentro do Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói. O registro foi feito pelo guarda-parque Ronaldo Costa, servidor do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), durante atividades de acompanhamento da fauna local.
Presente em regiões de Mata Atlântica, a Ithomia drymo desperta interesse de pesquisadores, ambientalistas e visitantes por conta de uma característica incomum: suas asas possuem uma transparência quase total. Esse aspecto singular funciona como um eficiente mecanismo natural de proteção, permitindo que o inseto se misture ao ambiente e se torne difícil de ser percebido por predadores em meio à vegetação da floresta.
Além dessa impressionante adaptação visual, a espécie apresenta outro importante recurso de defesa. Durante o estágio larval, quando ainda é uma lagarta, alimenta-se de plantas que contêm substâncias tóxicas, especialmente espécies pertencentes ao gênero Cestrum. Ao absorver esses compostos químicos, a borboleta passa a carregar elementos que a tornam menos atrativa para aves e outros animais que poderiam atacá-la.
As chamadas borboletas-asas-de-vidro possuem ainda grande relevância para estudos ambientais. Especialistas as consideram excelentes bioindicadoras da qualidade dos ecossistemas, já que dependem de condições ambientais bastante específicas para sobreviver. Entre essas exigências estão florestas bem conservadas, com elevada umidade, vegetação densa e microclima equilibrado.
Por conta dessa sensibilidade às alterações ambientais, a presença da Ithomia drymo costuma ser interpretada como um indicativo positivo da conservação da área onde é encontrada. O aparecimento da espécie no Parque Estadual da Serra da Tiririca reforça a importância da preservação dos remanescentes de Mata Atlântica e demonstra que o ambiente mantém características favoráveis para a manutenção da biodiversidade.
O registro realizado pelos profissionais do parque contribui para o monitoramento da fauna regional e ajuda a ampliar o conhecimento sobre a distribuição e a ocorrência dessa espécie em áreas protegidas do estado do Rio de Janeiro.








