Uma cobra da espécie jiboia, com aproximadamente 1,2 metro de comprimento, foi retirada de uma área de risco pela Guarda Ambiental às margens da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), em Rio das Ostras, no Norte Fluminense. O animal foi localizado nas proximidades da entrada da Fazenda Itapebussus, a cerca de 300 metros do acesso, no trecho que segue em direção à Barra de Macaé.
O atendimento foi realizado depois que a rádio-operadora da Guarda Municipal recebeu um chamado informando sobre a presença da serpente na região. Uma pessoa que passava pelo local percebeu a situação e permaneceu acompanhando a movimentação do animal até a chegada dos agentes ambientais.
De acordo com as informações divulgadas pela Guarda Ambiental, a principal preocupação era evitar que a jiboia fosse atingida pelos veículos que trafegam pela rodovia. Por estar próxima à pista, a serpente corria o risco de ser atropelada, o que poderia provocar ferimentos ou até mesmo sua morte.
Depois de realizar o procedimento de retirada, os agentes fizeram a soltura da jiboia em uma área próxima ao ponto onde ela havia sido encontrada. O local escolhido fica na região da Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) de Itapebussus.
Segundo a equipe responsável pelo atendimento, a decisão de devolver o animal a um ambiente próximo ao seu local de origem tem como objetivo contribuir para a preservação da biodiversidade local. A medida também busca respeitar as características naturais da espécie e evitar deslocamentos desnecessários de animais silvestres.
Período de chuvas pode aumentar o aparecimento de animais nas rodovias
A ocorrência de animais silvestres em rodovias pode se tornar mais frequente durante períodos de chuva. As condições climáticas podem fazer com que diferentes espécies deixem seus abrigos naturais em busca de locais mais apropriados, aumentando a possibilidade de deslocamentos por áreas próximas às estradas.
A explicação foi apresentada pelo biólogo Francis Leandro, da organização SOS Vida Silvestre, em entrevista ao portal g1. O especialista destacou que as chuvas intensas podem provocar mudanças no comportamento dos animais, levando-os a procurar novos abrigos e, consequentemente, atravessar rodovias.
O profissional também ressaltou que a fragmentação da Mata Atlântica é outro fator que merece atenção quando se trata da circulação de animais silvestres. Com a redução e a divisão dos ambientes naturais, os animais podem encontrar obstáculos para se deslocar entre diferentes áreas de vegetação, tornando ainda mais importante a identificação de espaços seguros para sua permanência.
Segundo Francis Leandro, durante períodos de precipitação mais intensa, é comum que os animais procurem outros locais para se abrigar. Nesse processo, muitas espécies acabam chegando às estradas e atravessando trechos com grande circulação de veículos, ficando expostas a situações de perigo.
O biólogo também alertou para a necessidade de cuidados específicos durante as operações de resgate. A captura e o transporte de animais silvestres devem ser realizados por pessoas capacitadas, utilizando materiais apropriados para evitar acidentes e preservar a integridade física dos exemplares.
Entre os equipamentos indicados para esse tipo de procedimento estão luvas de proteção, ganchos, pinças e recipientes adequados para o transporte. A utilização desses materiais permite que o manejo seja feito de maneira mais segura, tanto para os profissionais envolvidos quanto para o próprio animal.
Outro aspecto importante apontado pelo especialista é a maneira correta de segurar e conduzir a serpente durante o atendimento. Um manejo inadequado pode provocar lesões, causar estresse e comprometer a saúde do animal. Por isso, a orientação é que a retirada seja feita com técnicas apropriadas e por profissionais preparados para lidar com esse tipo de situação.
Como agir ao encontrar uma cobra em Rio das Ostras
Ao encontrar uma cobra ou qualquer outro animal silvestre em uma área urbana, estrada ou próximo de residências, a recomendação é não tentar realizar a captura por conta própria. Também não se deve tocar, provocar, perseguir ou tentar transportar o animal sem os equipamentos e conhecimentos necessários.
A atitude mais segura é manter uma distância adequada, evitar movimentos que possam assustar a serpente e impedir, quando possível, que outras pessoas se aproximem. Em seguida, é importante comunicar a ocorrência aos órgãos responsáveis, que poderão enviar profissionais preparados para realizar o atendimento.
Em Rio das Ostras, os moradores podem solicitar orientações e atendimento por meio dos seguintes canais:
– Secretaria Municipal de Meio Ambiente: (22) 2764-6444;
– Defesa Civil: 199;
– Guarda Municipal: atendimento por meio do próprio órgão.
O contato com as equipes especializadas é fundamental para reduzir as possibilidades de acidentes e garantir que o animal seja retirado do local sem colocar pessoas ou a própria espécie em risco.
Além de proteger a população, o acionamento dos órgãos responsáveis permite que os animais silvestres recebam o encaminhamento adequado e, quando possível, sejam devolvidos a ambientes naturais compatíveis com suas necessidades.
O resgate realizado às margens da RJ-106 reforça a importância da atenção dos motoristas e moradores diante da presença de animais nas rodovias de Rio das Ostras. A preservação da fauna depende também da colaboração da população, especialmente em períodos de chuva, quando o deslocamento de espécies silvestres pode se tornar mais frequente.








