O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a liberação de R$ 250 milhões destinados a iniciativas de recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável da produção rural no Norte Fluminense. O investimento será operacionalizado pela empresa Tree Agroflorestal S.A. (Tree+), que possui sede em Campos dos Goytacazes e desenvolve projetos voltados à restauração ecológica e à utilização sustentável dos recursos naturais.
Ao comentar a aprovação do financiamento, a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou a importância de apoiar projetos de recuperação ambiental em larga escala, especialmente diante dos desafios provocados pelas mudanças climáticas.
“Apoiar projetos de recuperação em escala, como o desenvolvido pela Tree+, é essencial para enfrentar eventos climáticos extremos, proteger a biodiversidade e promover emprego e renda nos territórios”, afirmou a representante do banco.
A Tree+ atua em diferentes frentes relacionadas à sustentabilidade, incluindo restauração de ecossistemas, recuperação de terrenos degradados, manejo florestal sustentável e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAF). Entre as modalidades utilizadas pela companhia está a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que possibilita desenvolver atividades agrícolas, pecuárias e florestais de maneira integrada.
Os recursos serão direcionados a um empreendimento que pretende recuperar áreas ambientalmente degradadas, incentivar práticas sustentáveis no campo e ampliar as oportunidades de trabalho na região. A expectativa é que a iniciativa proporcione a criação de quase mil empregos diretos e indiretos em Campos dos Goytacazes.
É importante destacar que o financiamento será executado pela iniciativa privada, por meio da empresa responsável pelo empreendimento. Portanto, o anúncio dos R$ 250 milhões não significa que o dinheiro será repassado diretamente à Prefeitura de Campos dos Goytacazes ou incorporado aos cofres municipais.
De acordo com informações divulgadas pelo BNDES, a aprovação do financiamento ocorreu em 23 de outubro de 2026. O projeto faz parte de um empreendimento com investimentos totais estimados em aproximadamente R$ 390 milhões nesta etapa.
Na Região Norte Fluminense, a proposta prevê a restauração de 22,2 mil hectares de áreas degradadas, dos quais mais de 6,6 mil hectares correspondem a áreas de Mata Atlântica. Além de Campos dos Goytacazes, o território de atuação inicial da empresa também contempla os municípios de São Francisco de Itabapoana e Quissamã.
A iniciativa pretende conciliar a recuperação dos ecossistemas com o desenvolvimento de atividades econômicas no meio rural. Entre os objetivos estão melhorar a qualidade e as condições do solo, recuperar a vegetação nativa, proteger os recursos hídricos e estimular a geração de renda para trabalhadores e produtores da região.
O planejamento ambiental inclui o plantio de aproximadamente 1,9 milhão de mudas de espécies nativas, além da adoção de técnicas que favorecem a regeneração da vegetação e a conservação dos recursos naturais.
Recuperação do solo e produção sustentável
O projeto também prevê ações de regeneração natural assistida, acompanhadas de intervenções voltadas à conservação física e hidrológica do solo. Entre os procedimentos planejados está a subsolagem, técnica utilizada para melhorar a estrutura da terra e favorecer a infiltração da água, contribuindo para reduzir problemas relacionados à compactação do terreno.
Outra medida prevista é a implantação de caixas de contenção, estruturas que ajudam a controlar o fluxo da água da chuva sobre a superfície, diminuindo o escoamento, prevenindo processos erosivos e contribuindo para a conservação do solo.
Um dos aspectos centrais do empreendimento é a utilização do modelo de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Esse sistema permite reunir, em uma mesma propriedade rural, o cultivo agrícola, a criação de animais e a produção florestal, promovendo uma utilização mais diversificada e sustentável das áreas produtivas.
Na prática, a proposta busca possibilitar que propriedades anteriormente degradadas sejam recuperadas sem que os produtores precisem abandonar suas atividades econômicas. Dessa maneira, a restauração ambiental poderá ocorrer simultaneamente ao desenvolvimento da produção rural, criando novas alternativas de renda para os trabalhadores do campo.
A escolha do Norte Fluminense levou em consideração as características ambientais e econômicas da região. Entre os fatores avaliados estão a existência de extensas áreas degradadas, a necessidade de recomposição da cobertura vegetal e os desafios relacionados à conservação e à disponibilidade de recursos hídricos.
O BNDES também considera relevante a tradição agropecuária regional e o potencial de recuperação de terrenos que atualmente apresentam baixa produtividade. A expectativa é que as intervenções melhorem a qualidade do solo, aumentem sua capacidade de retenção de água e permitam ampliar o aproveitamento econômico das propriedades.
Segundo o banco, a recomposição da Mata Atlântica também terá papel importante na preservação da biodiversidade. O trabalho deverá contribuir para recuperar áreas de preservação permanente e reservas legais, fortalecendo a proteção dos ecossistemas e dos recursos naturais existentes no território fluminense.
Projeto prevê quase mil oportunidades de trabalho
Além dos resultados ambientais, a iniciativa apresenta uma perspectiva significativa de geração de empregos e movimentação da economia regional. Durante a implantação das atividades, a previsão é de abertura de mais de 800 vagas diretas e indiretas, com possibilidade de o número total se aproximar de mil oportunidades profissionais.
As contratações deverão atender diferentes etapas da operação, desde a produção de mudas e coleta de sementes até os serviços de plantio, manutenção das áreas florestais e acompanhamento dos resultados ambientais. Também estão previstas oportunidades para profissionais especializados em atividades técnicas relacionadas à execução e ao monitoramento do empreendimento.
Outro ponto destacado na estruturação do projeto é a inclusão produtiva das mulheres. A proposta contempla ações de qualificação profissional, capacitação e incentivo ao empreendedorismo feminino, buscando ampliar a participação das mulheres nas atividades econômicas relacionadas à restauração ambiental e à produção rural.
Os produtores rurais também deverão participar da execução do empreendimento, com oportunidades para diversificar suas atividades, recuperar a capacidade produtiva das propriedades e agregar valor às áreas que atualmente apresentam algum nível de degradação.
A movimentação econômica deverá alcançar ainda outros segmentos, como viveiros responsáveis pelo fornecimento de mudas, empresas fornecedoras de insumos, prestadores de serviços e negócios ligados à cadeia produtiva agropecuária e florestal. Com isso, os efeitos do investimento poderão se estender para além das contratações diretamente vinculadas à empresa responsável pelo projeto.
Em publicações nas redes sociais, o ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, eleito deputado federal nas últimas eleições, relacionou o investimento à atuação do grupo Campos do Futuro, iniciativa criada por ele para promover discussões e propostas voltadas ao planejamento estratégico e ao desenvolvimento de longo prazo do município.
A Tree+ informou que o financiamento representa mais uma fase de um planejamento que pretende integrar recuperação ambiental e crescimento econômico, com a formação de um amplo conjunto de áreas florestais no Sudeste brasileiro.
Segundo a empresa, a meta é contribuir para a consolidação de um mosaico florestal com aproximadamente 50 mil hectares, reunindo diferentes áreas de restauração e conservação ambiental.
O planejamento de longo prazo prevê investimentos superiores a R$ 800 milhões até 2031. A atuação inicial está concentrada no Norte Fluminense, com projetos que buscam combinar preservação da natureza, fortalecimento da atividade agropecuária, geração de empregos e novas oportunidades de desenvolvimento econômico para os municípios envolvidos.








