O corpo do jornalista Renato Machado começou a ser velado às 11h30 desta sexta-feira (17), no Memorial do Carmo, localizado no bairro do Caju, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. A cerimônia de despedida reúne familiares, amigos e admiradores do profissional. No início da tarde, o corpo seguirá para cremação.
Renato Machado, jornalista e ex-apresentador do telejornal Bom Dia Brasil, morreu na manhã de quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, situada na Gávea, na Zona Sul da capital fluminense. De acordo com informações divulgadas, a causa da morte foi insuficiência cardíaca.
Reconhecido como um dos maiores nomes do telejornalismo brasileiro, Renato construiu uma trajetória de mais de quatro décadas na TV Globo, tornando-se uma referência para diferentes gerações de telespectadores e profissionais da comunicação.
Durante sua carreira na emissora, apresentou programas como o Bom Dia Brasil, o Jornal da Globo e o RJTV. Também integrou a bancada do Jornal Nacional, trabalhou como correspondente internacional e atuou como repórter especial em diversas coberturas de grande relevância. Pelo conjunto de seu trabalho, chegou a ser indicado ao Emmy Internacional.
Entre os anos de 1996 e 2010, Renato Machado acumulou as funções de apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil. Nesse período, participou ativamente da modernização do telejornal, contribuindo para um formato mais dinâmico e interativo. Ao lado de Leilane Neubarth e, posteriormente, de Renata Vasconcellos, ajudou a implantar uma apresentação com maior diálogo entre os âncoras, mais entradas ao vivo de repórteres e comentaristas e uma utilização mais ampla dos recursos do estúdio.
Em nota oficial, a Clínica São Vicente manifestou pesar pela morte do jornalista e prestou solidariedade aos familiares e amigos neste momento de luto.
Ator, dublador e quase diplomata
Natural do Rio de Janeiro, Renato Machado era filho de um militar e de uma secretária bilíngue. Graduado em Direito, chegou a ser aprovado no concurso para o Itamaraty, mas decidiu não seguir a carreira diplomática. Optou por abandonar essa possibilidade para dedicar sua vida ao jornalismo e ao desejo de conhecer o mundo por meio das reportagens.
Antes de ingressar definitivamente na imprensa, viveu experiências como ator e dublador. Pouco depois, passou a trabalhar no serviço brasileiro da rádio BBC, em Londres, no fim da década de 1960.
Em 1969, iniciou sua trajetória no Jornal do Brasil como repórter. Com o passar dos anos, assumiu o cargo de editor internacional e permaneceu no jornal impresso durante 13 anos, consolidando sua reputação como jornalista.
Carreira marcada por grandes coberturas
A passagem de Renato Machado pela TV Globo começou em 1982. Logo em seus primeiros trabalhos na emissora, participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um dos acontecimentos internacionais mais importantes daquele período.
No ano seguinte, em 1983, assumiu a função de correspondente em Londres. A partir da capital inglesa, acompanhou acontecimentos históricos, entre eles os atentados terroristas ocorridos em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl. Ao retornar ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial da emissora.
Em 1990, deixou temporariamente a TV Globo para integrar a equipe da TV Manchete, onde realizou a cobertura da Guerra do Golfo. No ano seguinte, voltou à Globo e, ao longo dos cinco anos seguintes, participou de coberturas marcantes da história brasileira, incluindo o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor e a morte do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna.
Em 1996, assumiu definitivamente a apresentação do Bom Dia Brasil, permanecendo no comando do telejornal até 2010.
Em entrevista ao projeto Memória Globo, Renato definiu o telejornalismo como uma atividade de aprendizado constante. Segundo ele, a profissão exige conhecimento técnico e editorial, envolvendo aspectos como operação de equipamentos, enquadramentos, edição, texto, cores e trabalho em equipe, além da disposição permanente para aprender com os próprios erros.
Nova passagem como correspondente internacional
Em setembro de 2011, Renato Machado retornou ao posto de correspondente internacional da TV Globo em Londres. Nesse período, participou da cobertura de fatos de repercussão mundial, como os ataques terroristas ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, as comemorações pelos 95 anos de Nelson Mandela e a crise econômica enfrentada pela Grécia.
Durante sua permanência na Europa, também pôde dedicar espaço a uma de suas maiores paixões: o universo dos vinhos. Em 2014, produziu para o Jornal Hoje uma série especial sobre a região da Provença, na França, apresentando detalhes da produção vinícola, da gastronomia, dos costumes e da cultura local.
Na ocasião, Renato afirmou que uma das reportagens de que mais gostava era justamente a dedicada aos vinhos da Provença. Ele explicou que a região é conhecida pela produção da bebida e também pela influência do vento mistral, que sopra dos Alpes em determinadas épocas do ano. Segundo o jornalista, esse vento ajuda a preservar melhor as plantações de uva ao afastar o ar quente e favorecer a conservação dos vinhedos.
Em janeiro de 2016, encerrou seu segundo período como correspondente internacional em Londres e passou a função para a jornalista Cecília Malan.
Reportagens premiadas e indicação ao Emmy Internacional
Após retornar ao Rio de Janeiro, Renato Machado passou a integrar a equipe do Globo Repórter como repórter especial. Entre os trabalhos de maior destaque está a reportagem “A arte como passaporte”, exibida em 2016, que mostrou como projetos voltados para música e dança podem transformar a realidade de famílias em situação de vulnerabilidade social.
A produção apresentou iniciativas como o Instituto Baccareli, em Heliópolis, na cidade de São Paulo, responsável por atender mais de 1,3 mil crianças a partir dos quatro anos de idade. Também contou a história de uma bailarina carioca que iniciou sua formação artística em um projeto social da Mangueira e conquistou espaço nos palcos dos Estados Unidos.
A qualidade da reportagem garantiu ao programa uma indicação ao Emmy Internacional na categoria Atualidade.
Em entrevista concedida há seis anos, Renato destacou a importância do Globo Repórter em sua trajetória profissional. Segundo ele, o programa esteve presente em diferentes fases de sua carreira e possibilitou a realização de reportagens que considera exemplos de dedicação, trabalho coletivo e superação de desafios.
Renato Machado encerrou oficialmente sua trajetória na TV Globo em novembro de 2021, deixando um legado de profissionalismo, credibilidade e contribuição histórica para o jornalismo brasileiro.








