Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, recebe nesta quinta-feira (21) um workshop gratuito voltado à preparação das comunidades e à inclusão social diante de eventos climáticos severos, como fortes chuvas, estiagens e ondas intensas de calor.
A iniciativa é organizada pelo Projeto COPE (Capacidades Organizacionais de Preparação) em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), com apoio do Projeto Morte Zero, do Ministério Público do Rio de Janeiro, e do Instituto Friburgo Solidário.
Os interessados podem se inscrever online. O encontro acontece entre 13h e 16h, no auditório do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, localizado na Avenida Rui Barbosa, no Centro de Nova Friburgo. O evento é aberto a representantes da sociedade civil, agentes públicos, profissionais da Defesa Civil e demais interessados na temática.
O principal objetivo é discutir estratégias integradas para que governos, instituições e moradores estejam mais preparados para enfrentar situações climáticas extremas, especialmente em municípios vulneráveis, como Nova Friburgo, marcada pela tragédia de janeiro de 2011, ocorrida há 15 anos.
A programação terá início com uma mesa de abertura composta por representantes do Ministério Público, do Cemaden, da Prefeitura de Nova Friburgo e do Instituto Friburgo Solidário.
Em seguida, serão divulgados os resultados preliminares do Projeto COPE, além das próximas etapas previstas pela iniciativa.
O projeto realiza pesquisas e ações direcionadas ao fortalecimento da preparação para desastres, analisando como órgãos públicos, instituições e comunidades podem atuar de forma articulada antes, durante e depois de ocorrências extremas.
Entre os assuntos abordados estão comunicação de risco, sistemas de alerta, participação popular e inclusão de grupos vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência.
O workshop também contará com uma oficina voltada à preparação intersetorial, comunitária e inclusiva para eventos extremos, destacando a importância da participação da população e da inclusão de idosos e pessoas com deficiência nos sistemas de prevenção e resposta.
De acordo com Victor Marchezini, coordenador do Projeto COPE/Fapesp no Cemaden, a proposta é fortalecer a cultura da prevenção e ampliar o envolvimento social nos sistemas de alerta da Região Serrana.
“A Região Serrana do Rio de Janeiro apresenta alta vulnerabilidade aos eventos extremos devido às condições de ocupação do território. Para reduzir os riscos e evitar novas tragédias como a de 2011, é essencial investir em planejamento urbano e no fortalecimento da preparação para desastres”, afirmou.
Possível El Niño intenso
O encontro acontece em meio às discussões sobre a possibilidade de formação de um El Niño forte ou até muito forte. Uma nota técnica produzida por pesquisadores do Cemaden aponta que modelos climáticos internacionais indicam a chance de desenvolvimento do fenômeno entre 2026 e 2027.
O documento foi encaminhado à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mas os pesquisadores destacam que o cenário ainda não é considerado definitivo. Segundo o relatório, algumas projeções sugerem um evento que poderá se tornar o mais intenso da história moderna, embora os próprios especialistas alertem para a baixa confiabilidade das previsões de longo prazo.
A expectativa é de que as projeções se tornem mais precisas a partir de junho.
Memória da tragédia de 2011
A tragédia climática que atingiu a Região Serrana em 2011 deixou mais de 900 mortos e cerca de 100 desaparecidos, sendo considerada um dos maiores desastres naturais do Brasil. As cidades mais afetadas foram Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.
Desde então, especialistas e órgãos de monitoramento vêm reforçando a necessidade de ampliar medidas de prevenção, preparação e resposta diante do crescimento dos eventos climáticos extremos.









