Uma criança de 7 anos perdeu a vida após ser atingida por um disparo na cabeça durante a invasão de homens armados à casa onde morava, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O crime aconteceu na madrugada de segunda-feira (22) e está sendo investigado pela Polícia Civil.
Segundo o depoimento prestado pela mãe da menina aos investigadores, os criminosos entraram no imóvel depois de pularem o muro e arrombarem uma das portas da residência. Ainda conforme o relato, os invasores afirmaram ser policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Ao perceber que a casa estava sendo invadida, a mãe orientou a filha a se esconder dentro de um guarda-roupa na tentativa de protegê-la.
Mesmo escondida, a criança acabou sendo baleada na cabeça. Ela foi socorrida e encaminhada para uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada para atendimento médico.
A Polícia Civil trabalha para esclarecer o que motivou a invasão. De acordo com as primeiras informações, nenhum objeto foi roubado da residência. Entre as linhas de investigação consideradas pelos agentes estão a hipótese de que os criminosos procuravam o pai da menina, que não estava na casa no momento da ação, ou que o grupo tenha invadido o endereço por engano.
A menina, identificada como Eduarda, foi sepultada na terça-feira (23). Durante o velório, familiares e amigos prestaram as últimas homenagens e cobraram uma resposta das autoridades para que os responsáveis pelo crime sejam identificados e responsabilizados.
Muito abalado, o pai da criança, Leandro Abreu, lamentou a perda da filha e classificou o crime como um ato de extrema covardia.
“Estou muito triste. Jamais imaginei viver uma tragédia como essa dentro da minha própria casa. Só peço justiça pela minha filha e por toda a maldade que fizeram com ela. Isso destrói qualquer pai. Sempre trabalhei, cuidei da minha família e nunca fiz mal a ninguém. Hoje estou enterrando a pessoa que eu mais amava”, declarou.
Leandro também afirmou que nunca teve envolvimento com atividades criminosas e reforçou, ao lado da mãe de Eduarda, o pedido para que as autoridades esclareçam o caso e identifiquem todos os envolvidos na invasão e no assassinato da menina.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que realiza diligências para esclarecer todas as circunstâncias do crime, identificar os autores da invasão e determinar a motivação da execução.
Levantamento do Instituto Fogo Cruzado aponta que, somente em 2026, ao menos oito crianças com idade entre zero e 11 anos foram baleadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Desse total, três morreram e cinco ficaram feridas. O número é o mesmo registrado entre 1º de janeiro e 22 de junho de 2025, período em que também houve oito crianças vítimas de disparos de arma de fogo, sendo uma morta e sete sobreviventes com ferimentos.








